Graças a Deus está chovendo! Nem por isso os problemas e as consequências da seca estão superados.
Dom Bernardino Marchió
Bispo Diocesano
Por isso, a CNBB publicou uma reflexão e apresentou propostas para aliviar o sofrimento dos 10 milhões de nordestinos vítimas de mais uma seca! A seguir, trechos da nota:
‘‘Os bispos do Nordeste, por várias vezes, assinalaram as consequências de ordem social, econômica, moral e ética provocadas pela seca, tais corno: a) Migração forçada com a consequente desarticulação e desintegração da família, que fica exposta à máxima penúria; b) Tráfico humano, que conduz ao trabalho escravo; c) Instrumentalização da extrema vulnerabilidade das pessoas para fins eleitoreiros, em total desrespeito aos valores éticos; d) Agravamento da situação econômica relegando milhares de famílias à miséria; e) Dizimação da produção agrícola e agropastoril com a morte de rebanhos inteiros, comprometendo o presente e o futuro dos pequenos e médios produtores, além de seu endividamento; f) Colapso no abastecimento de água nas áreas urbanas; g) Risco de se perderem conquistas econômicas e produtivas fundamentais acumuladas nos últimos dez anos.
O clamor do povo do Nordeste, acolhido pela Igreja, ecoa em documentos históricos como o de Campina Grande, em 1956, e o de João Pessoa – ‘‘Eu ouvi o clamor do meu povo (Ex 3,7)” – em 1963. Além disso, a igreja tem realizado diversas campanhas de doações, promovido inúmeras ações solidárias de apoio às famílias mais atingidas pelo flagelo da seca e participado na luta pela execução de políticas públicas como a construção de cisternas de consumo e de produção.
Apoiamos as “Diretrizes para a convivência com o Semiárido”, lançadas em recente seminário realizado em Recife pela Igreja Católica e vários movimentos sociais e sindicais, exigindo que sociedade e governos não pensem no Nordeste apenas em ocasião de seca.
A seca no semiárido é um fenômeno cíclico que se repete sistematicamente. Entretanto, o ciclo de secas ‘não pode nos fazer pensar que o semiárido brasileiro seja apenas um condicionamento climático e, a longa estiagem, sua intempérie. O semiárido é, antes de tudo, um conjunto de condições próprias de um bioma e, desse modo, exige-nos um novo olhar e a construção de iniciativas diferenciadas’ para a convivência nesta região onde vivem 46% da população nordestina e 13% da população brasileira, representando 11% do território naciona1. Os 25 milhões de pessoas que aí habitam aguardam medidas estruturais que facilitem a convivência com esse ecossistema.
Reconhecemos que os Governos têm desenvolvido importantes ações neste momento crítico por que passam os atingidos pela seca. São, no entanto, ações mitigadoras e emergenciais que não resolvem o problema, presente em todo o polígono da seca. Somente com decidida vontade política e efetiva solidariedade será possível estabelecer ações que tornem viável a convivência com o semiárido, mesmo no período da seca (…).’
Por Jornal de Caruaru
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