domingo, 17 de março de 2013

A PALAVRA DO BISPO - A MISSÃO CONTINUA COM O PAPA FRANCISCO - POR DOM BERNARDINO MARCHIÓ


Estava em Brasília (DF) numa reunião preparatória para a Jornada Mundial da Juventude quando se espalhou a notícia: “Habemus papam”.


Dom Bernardino Marchió
Bispo Diocesano

A reunião terminou imediatamente e todos nos perguntávamos quem poderá ser o eleito. E veio a grande surpresa: o cardeal argentino Jose Mário Bergoglio será o novo papa. Apesar de não conhecê-lo pessoalmente, já tinha lido algumas reportagens sobre sua atuação como Arcebispo de Buenos Aires e sabia também das suas frequentes visitas aos mais pobres nas periferias da cidade. A escolha do nome Francisco era mais uma confirmação de um estilo de vida que, desde o início do seu pontificado, ele quer apresentar ao mundo. Quando São Francisco de Assis sentiu o chamado de Jesus para reconstruir a sua Igreja, ele tinha entendido que deveria reformar uma Igreja em ruínas na periferia de Assis. Só mais tarde ele compreendeu que a Igreja que deveria ser reconstruída era as pessoas, a comunidade eclesial, com a sua hierarquia e os seus fiéis.

Sabemos que nos últimos anos do pontificado de Bento 16 a Igreja enfrentou escândalos e críticas muito duras. O próprio papa chegou a falar de hipocrisia e pecados dentro da estrutura eclesial. A mídia do mundo inteiro exige renovação no estilo de vida dos membros da Igreja e pede transparência na administração dos bens. Existe, porém, uma outra problemática que talvez não chame a atenção da mídia, mas é fundamental para a sobrevivência da Igreja.

Uma das intensas iniciativas do papa Bento 16 foi o lançamento do “Ano da Fé”. O problema da fé foi a grande preocupação do papa que considerava o afastamento de Deus da vida das pessoas e das instituições como grande drama da humanidade. Numa carta aos bispos, em 2009, escrevia Bento 16: “No nosso tempo em que a fé, em vastas zonas da terra, corre o risco de apagar-se, como uma chama que já não recebe alimento, a prioridade que está acima de todos é tornar Deus presente neste mundo e abrir aos homens o acesso a Deus. Não a um deus qualquer, mas ao Deus que falou no Sinal: ‘aquele Deus cujo rosto reconhecemos no amor levado até o extremo em Jesus Cristo crucificado e ressuscitado’. O verdadeiro problema neste momento da nossa história é que Deus possa desaparecer do horizonte dos homens e que, com o apagar da luz vinda de Deus, a humanidade seja surpreendida pela falta de orientação, cujos efeitos destrutivos se manifestam cada vez mais.”

E eis que, neste momento histórico em que a Igreja inicia uma nova etapa da sua presença no mundo, o Espírito Santo, que continua sendo sempre o responsável pela Igreja, nos oferece essa alegria: o papa Francisco. À humanidade que busca a paz, a justiça e um estilo de vida mais simples, Deus envia um novo Francisco para repetir a todos: “paz e bem”. E a Igreja, que às vezes cai na tentação de se apegar às riquezas deste mundo, o papa Francisco irá lembrar que a verdadeira riqueza é viver o Evangelho!

Por Jornal de Caruaru

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