O papa Francisco surpreendeu a humanidade em vários aspectos: desde a escolha do nome até os gestos mais simples e as palavras que pronunciou.
Dom Bernardino Marchió
Bispo Diocesano
Certamente, Francisco é um nome muito indicativo das características que o novo papa quer dar ao seu pontificado. São Francisco tinha sido um pecador, dado às vaidades do mundo; mas encontrou a misericórdia de Deus e se voltou inteiramente a Ele: ‘‘meu Deus e meu tudo!” A partir de sua conversão, procurou viver o Evangelho em profundidade, cultivando a comunhão com Deus e desejando voltar-se sempre mais para Cristo, a ponto de ser chamado de ‘‘homem inteiramente cristificado.”
Não é esse mesmo o apelo que a Igreja recebe e faz a todos, desde há mais tempo? Conversão para um renovado encontro com Deus, um discipulado verdadeiro, para a santidade de vida através da comunhão profunda com Deus, deixando-se abraçar e amar por Ele? Na sua primeira missa com o Colégio Cardinalício, no dia seguinte a sua eleição, o papa Francisco observou que, sem esta comunhão profunda com Deus e a identificação com Jesus Cristo ‘‘crucificado”, sem confessar o seu nome, a Igreja não passa de uma ‘‘ONG piedosa”. Na Basílica de São Francisco, em Assis, há uma bela escultura do santo abraçado aos pés do Crucificado, que baixa a mão direita para abraçar Francisco.
Mas não é só isso: tendo conhecido a misericórdia e o amor infinito de Deus Pai, São Francisco passou a reconhecer em cada criatura um irmão e uma irmã; sobretudo nos homens e mulheres, buscando viver com todos a fraternidade universal, sem excluir ninguém. Coração livre, ele podia amar a todos de coração inteiro e puro. Amou, sobretudo, os doentes (o leproso!), os pobres, os pecadores, os supostos ‘‘inimigos”; conseguia dialogar com os ‘‘diferentes”, sem mais nenhum dos preconceitos que regulam, geralmente, as relações humanas. Que grande desafio para a Igreja e a humanidade inteira!
E os gestos que caracterizaram os primeiros dias do pontificado também são significativos: pagou a conta do hotel onde tinha passado alguns dias antes do conclave, a visita a um cardeal doente, a quebra do protocolo em muitas ocasiões, a simplicidade no vestir! Todos sinais de um homem livre e confiante perante Deus.
Enfim, podemos lembrar alguns pronunciamentos que nos mostram a grandeza da alma do papa Francisco!
No primeiro Angelus, ele exclamou! ‘‘Vocês já pensaram na paciência que Deus tem com cada um de nós? É a sua misericórdia: Ele nos compreende, nos recebe, não se cansa de nos perdoar se soubermos voltar a Ele com o coração arrependido. É grande a misericórdia do Senhor!”
E, enfim, vamos meditar alguns trechos da homilia na missa de inauguração do pontificado, no dia de São José:
‘‘Fundamentalmente tudo está confiado à guarda do homem, e é uma responsabilidade que nos diz respeito a todos. Sede guardiões dos dons de Deus!”
‘‘E quando o homem falha nesta responsabilidade, quando não cuidamos da criação e dos irmãos, então encontra lugar a destruição e o coração fica ressequido. Infelizmente, em cada época da história, existem ‘Herodes’ que tramam desígnios de morte, destroem e deturpam o rosto do homem e da mulher.” ‘‘Não devemos ter medo da bondade, da ternura! E a Semana Santa que estamos iniciando vai nos mostrar até onde chega a ternura de Deus!”.
Por Jornal de Caruaru
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