O nosso tempo precisa de esperança. Mas, a Igreja é lugar de esperança? Quase todas as semanas são noticiados escândalos que envolvem pessoas da Igreja.
Como os servos do patrão de casa, na parábola evangélica do reino de Deus, também nós queremos pedir ao Senhor: “Senhor, não foi a boa semente que semeaste no teu campo? De onde vem então que haja joio nela? (Mt 13,27). Sim, com a sua Palavra e com o sacrifício da sua vida, o Senhor semeou, realmente, a boa semente no campo da terra. Germinou e germina.
Não devemos pensar somente nas grandes figuras luminosas da história, reconhecidas pela Igreja com o título de “santos” ou completamente permeados por Deus, iluminados por Ele. Todos nós conhecemos também pessoas comuns, não mencionadas em jornais e nem citadas em crônicas; a partir da fé, elas amadureceram alcançando uma grande humanidade e bondade. Abraão, na sua apaixonada luta contra Deus, para poupar a cidade de Sodoma, obteve do Senhor do Universo a garantia de que, se houvesse dez justos, não haveria destruição da cidade (Cf. Gn 18,22-33).
Graças a Deus nas nossas cidades, há muito mais que dez justos! Se, hoje, fizermos um pouco de atenção, se não nos determos somente na escuridão, mas também naquilo que é claro e bom no nosso tempo, veremos que a fé torna os homens mais puros e generosos e os educa ao amor.
O joio existe também no seio da Igreja e entre aqueles que o Senhor acolheu para o seu serviço. Porém, a luz de Deus não teve ocaso, o grão bom não foi sufocado pelas sementes do mal. No lugar de um padre mau, existem mil, dez mil, cem mil bons e santos.
A Igreja é, portanto, um lugar de esperança? Sim, porque dela provém, sempre e de novo, a Palavra de Deus que nos purifica e nos indica o caminho da fé. Sim, porque, por meio dela, o Senhor continua se doando a nós, mediante a graça dos Sacramentos, a palavra da reconciliação, os múltiplos dons da sua consolação. Nada pode obscurecer ou destruir tudo isso. Eis porque devemos ser alegres em meio a todas as tribulações.
Perguntamos, mais uma vez: o que é realmente a “esperança”? As coisas que podemos fazer sozinhos não são objeto de esperança, mas uma tarefa que podemos realizar com a força da nossa razão, da nossa vontade e do nosso coração.
Todos nós queremos viver. A vida não nos pode ser dada sozinhos. Quase ninguém, hoje, fala mais de vida eterna, que no passado era verdadeiro objeto da esperança. Visto que não ousamos crer nela, é preciso esperar obter tudo da vida presente. Segregar a esperança da vida eterna leva à avidez por uma vida aqui e agora, que se torna, quase inevitavelmente, egoísta e, no fim, irrealizável. Quando queremos apoderar-nos da vida, como de uma espécie de bem, ela foge de nós.
Por Jornal de Caruaru
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