sábado, 2 de junho de 2012

A PALAVRA DO BISPO - IGREJA: LUGAR DE ESPERANÇA


O nosso tempo precisa de esperança. Mas, a Igreja é lugar de esperança? Quase todas as semanas são noticiados escândalos que envolvem pessoas da Igreja.

Nestes dias todas as TVs falaram dos documentos desaparecidos do Vaticano com o envolvimento de um colaborador do Papa. Não se os meios de comunicação divulgaram com o mesmo interesse a participação de um milhão de pessoas na jornada Mundial das Famílias em Milão – Itália. E Bento XVI mais uma vez defendendo a família baseada na união estável de um homem e uma mulher para o bem da humanidade. Mas vivemos num mundo complexo e devemos cada vez mais discernir e escolher o bem.

Como os servos do patrão de casa, na parábola evangélica do reino de Deus, também nós queremos pedir ao Senhor: “Senhor, não foi a boa semente que semeaste no teu campo? De onde vem então que haja joio nela? (Mt 13,27). Sim, com a sua Palavra e com o sacrifício da sua vida, o Senhor semeou, realmente, a boa semente no campo da terra. Germinou e germina.

Não devemos pensar somente nas grandes figuras luminosas da história, reconhecidas pela Igreja com o título de “santos” ou completamente permeados por Deus, iluminados por Ele. Todos nós conhecemos também pessoas comuns, não mencionadas em jornais e nem citadas em crônicas; a partir da fé, elas amadureceram alcançando uma grande humanidade e bondade. Abraão, na sua apaixonada luta contra Deus, para poupar a cidade de Sodoma, obteve do Senhor do Universo a garantia de que, se houvesse dez justos, não haveria destruição da cidade (Cf. Gn 18,22-33).

Graças a Deus nas nossas cidades, há muito mais que dez justos! Se, hoje, fizermos um pouco de atenção, se não nos determos somente na escuridão, mas também naquilo que é claro e bom no nosso tempo, veremos que a fé torna os homens mais puros e generosos e os educa ao amor.
O joio existe também no seio da Igreja e entre aqueles que o Senhor acolheu para o seu serviço. Porém, a luz de Deus não teve ocaso, o grão bom não foi sufocado pelas sementes do mal. No lugar de um padre mau, existem mil, dez mil, cem mil bons e santos.

A Igreja é, portanto, um lugar de esperança? Sim, porque dela provém, sempre e de novo, a Palavra de Deus que nos purifica e nos indica o caminho da fé. Sim, porque, por meio dela, o Senhor continua se doando a nós, mediante a graça dos Sacramentos, a palavra da reconciliação, os múltiplos dons da sua consolação. Nada pode obscurecer ou destruir tudo isso. Eis porque devemos ser alegres em meio a todas as tribulações.

Perguntamos, mais uma vez: o que é realmente a “esperança”? As coisas que podemos fazer sozinhos não são objeto de esperança, mas uma tarefa que podemos realizar com a força da nossa razão, da nossa vontade e do nosso coração.

Todos nós queremos viver. A vida não nos pode ser dada sozinhos. Quase ninguém, hoje, fala mais de vida eterna, que no passado era verdadeiro objeto da esperança. Visto que não ousamos crer nela, é preciso esperar obter tudo da vida presente. Segregar a esperança da vida eterna leva à avidez por uma vida aqui e agora, que se torna, quase inevitavelmente, egoísta e, no fim, irrealizável. Quando queremos apoderar-nos da vida, como de uma espécie de bem, ela foge de nós.
Por Jornal de Caruaru

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