terça-feira, 8 de maio de 2012

A SECA E O RECIFE


Diario Político

marisa gibson
 
Por se tratar de um fenômeno climático cíclico a seca, que mais uma vez atinge o Nordeste, não surpreende ninguem. Supreendentes, mesmo, são as imagens que vem sendo exibidas mostrando a situação na região. Alguém concebe que um país como o Brasil, que ostenta a posição de sexta economia mundial, tenha grotões onde ainda se cozinha num fogão à lenha, típico dos primeiros anos do descobrimento, e isso quando se tem o que comer e o que beber? Isso não é apenas um contraste em um país, cujos indicadores econômicos o colocam atrás apenas dos Estados Unidos, China, Japão, Alemanha e França. É um descaso. E assim como os grotões nordestinos ainda surpreendem pela ausência completa de qualquer política pública que os tire da escuridão do terceiro mundo, a cidade do Recife, em alguns aspectos, ainda não saiu da Idade Média. Nos bairros centrais da capital pernambucana é difícil encontrar uma só rua que não tenha esgotos abertos e o poder público convive com o problema como se fosse a coisa mais normal do mundo. O canal que atravessa toda a Avenida Agamenon Magalhães é um acinte à saúde pública, tamanha a sujeira e ao mal cheiro. Recentemente se divulgou que mais de 13 milhões de brasileiros ainda não têm acesso a um banheiro, mas isso comparado ao que se vê no Recife é quase nada. Como o período eleitoral é propício a promessas, já foram anunciadas uma série de medidas paliativas para amenizar os efeitos da seca e até as eleições de outubro muitos caminhões-pipas estarão levantando poeira pelo Nordeste para distribuir água, embora isso não mude a realidade dos grotões. Agora, em relação a Recife, a proximidade da eleição para a escolha do futuro prefeito não tem sensibilizado os possíveis protagonistas deste pleito sobre os problemas da cidade, o que é uma pena.

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