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Pernambuco sempre foi um estado de forte contraditório. Por conta do irredentismo do povo pernambucano se dizia, até bem pouco tempo, que o Juízo Final aconteceria aqui, precisamente na Pracinha do Diário, tão grandes as divergências entre os vários grupos políticos que se destacaram na história pernambucana.
Até na ditadura militar a oposição marcou presença e os governos Moura Cavalcanti, Eraldo Gueiros e Marco Maciel foram combatidos por deputados oposicionistas que nunca deram trégua aos governantes nomeados pelos militares.
O contraditório também esteve em todos os governos pós-ditadura e as campanhas eleitorais se transformavam em verdadeiros campos de guerra, com candidatos governistas e oposicionistas se enfrentando com tanta veemência, que de vez em quando, militantes dos vários partidos envolvidos na disputa saiam no tapa e era preciso chamar a polícia para conter os mais exaltados.
Era a esquerda e a direita disputando o poder de igual para igual e apesar do acirramento dos discursos, o mundo nunca esteve ameaçado de acabar por conta disso.
Como a convivência dos opostos é um dos fundamentos da democracia, os pernambucanos ganharam a fama de politizados porque conseguiam escolher seus governantes sem abrir mão do contraditório, que sempre serviu de balizamento na hora do voto.
Acabou. Desde que Eduardo Campos (PSB) virou unanimidade (seu governo é aprovado por 94% da população, o mais bem avaliado do Brasil, melhor até do que a presidente Dilma, que só conseguiu 62% de aprovação), o contraditório foi pras cucuias, como se diz, e a política em Pernambuco praticamente, agora, só tem um lado: o do governador.
É verdade que o neto de Arres está fazendo um bom governo. Ninguém questiona que ele conseguiu mudar os índices econômicos, da educação, de saúde e até na área de segurança, o calo de tudo quanto é governante. Mas nem o estado virou Shangrilá nem Eduardo Campos virou Deus.
Ainda falta muita estrada para reduzir a criminalidade, como existem falhas nos projetos implantados por aqui, como o Estaleiro Atlântico Sul, por exemplo, que só agora conseguiu colocar o primeiro navio que fabricou na água, o que já virou uma piada.
O fim do contraditório promovido pelo governador não é bom para ele nem para os integrantes da Frente Popular por uma razão semples: sem adversários para disputar o poder, os aliados estão brigando uns com os outros, como ferrenhos inimigos. Uma loucura com tendência a piorar.
Já tem gaiato dizendo que a confusão está tão grande que para se proteger uns dos outros e garantir um lugar ao lado governador os eduardistas vivem cantando Reza, aquela música de Rita Lee que diz:
Deus me proteja da sua inveja
Deus me defenda da sua macumba
Deus me salve da sua praga
Deus me ajude da sua raiva
Deus me imunize do seu veneno
Deus me poupe do seu fim
Deus me acompanhe
Deus me ampare
Deus me levante
Deus me dê força
Deus me perdoe por querer
Que Deus me livre e guarde de você.
Por Divane Carvalho
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