Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR
Médico explica como funciona a cirurgia de correção de comunicação
interatrial videoassistida. Assista ao vídeo. Imagens: Alice
Souza/DP/D.A Press
Quem observa a aparência saudável da enfermeira Alessandra Negreiros,
31 anos, nem imagina que há 15 dias ela se submeteu a uma cirurgia
cardíaca. Entre uma caminhada no térreo do apartamento onde mora e os
planos para retormar a prática do kitesurf, apenas dores eventuais e
três pequenas cicatrizes são os indícios de que ela passou por uma
intervenção de alta complexidade para corrigir um problema congênito no
coração. Alessandra foi a primeira paciente pernambucana a fazer uma
cirurgia videoassistida para correção da comunicação interatrial (CIA),
procedimento feito sem a necessidade de abertura do osso esterno (que
sustenta as costelas e a clavícula), que permite ao paciente retomar as
atividades com o dobro da rapidez em comparação à cirurgia convencional.
Apesar
de congênita, a doença de Alessandra nunca teve sintomas. Quando
criança, acreditava-se que ela tinha sopro no coração. Em 2008, ao fazer
exames de preparação para outra cirurgia, ela descobriu a CIA. A
doença, que aparentemente era inofensiva, consistia em um buraco de 1,6
centímetro no septo que divide os átrios direito e esquerdo. A abertura,
fundamental para a oxigenação do sangue em estágio fetal, deveria se
fechar ainda no primeiro mês de vida. No caso de Alessandra, a falha
permitiu a mistura do sangue que circula nos dois átrios e,
consequentemente, a circulação de mais sangue do que o aceitável nos
pulmões. A CIA, que gera hipertensão pulmonar e insuficiência
cardíacada, corresponde a 7% das anomalias congênitas do coração e afeta
mulheres em dois terços dos casos.
O cateterismo, uma das
alternativas, foi tentado sem sucesso por Alessandra. Outra opção era a
cirurgia convencional, com abertura do esterno e corte de 25 centímetros
no tórax. “Com o vídeo, além de aumentarmos em até 20 vezes a imagem,
possibilitando uma maior precisão, ficam pequenas marcas no corpo. São
feitos dois orifícios de um centímetro cada, um na altura da axila
direita e outro na virilha, e um terceiro de cinco centímetros embaixo
do seio direito, por onde entram os intrumentos”, explicou o cirurgião
cardíaco do Real Hospital Português, Ricardo Lima, responsável pelo uso
da técnica no estado.
Com a cirurgia videoassistida, a
intervenção no coração é menos invasiva, a partir do auxílio de duas
cânulas de 20 ou 60 centímetros de comprimento ligadas à artéria femural
e à veia cava inferior, respectivamente.
“Antes, a cirurgia era
muito traumática, pois causava uma dor muito maior, deixava uma cicatriz
imensa e o paciente tinha que ficar um mês internado”, afirmou Lima.
Após a cirurgia convencional, o paciente permanecia de 24 a 36 horas na
Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e de uma semana a 10 dias internado. A
adoção do vídeo reduziu o tempo de UTI para 12 horas e a etapa de
recuperação como um todo foi diminuída pela metade. “Eu relutava em
fazer a cirurgia convencional por causa do pós-operatório. Se não
corrigisse a CIA, poderia ter uma insuficiência cardíaca em cinco ou 10
anos. Agora já estou retormando a minha vida sem sentir grandes dores e
devo voltar ao trabalho em até duas semanas”, contou Alessandra.
Saiba mais
O que é comunicação interatrial
Uma
abertura no septo cardíaco, com média de 2 a 3 cm de diâmetro, que
provoca a mistura entre o sangue que circula do lado esquerdo e do lado
direito do coração
O coração passa a bombear mais sangue para o pulmão. O órgão aumenta de tamanho e ocorrem arritmias e hipertensão pulmonar
Os sintomas da CIA são falta de ar, fadiga, palpitações, sopro sistólico e diastólico
Alice Souza - alicesouza.pe@dabr.com.br
Nenhum comentário:
Postar um comentário