Foi divertido o sorteio do relator do processo contra Demóstenes Torres no Conselho de Ética do Senado. Assemelhou-se ao ‘mau-mau’, aquele jogo de cartas no qual o jogador que, por estratégia, decide se abster de participar de uma rodada, grita “passo”.
Na primeira rodada, deu Lobão Filho (PMDB-MA). Passou. Na segunda, Gim Argello (PTB-DF). Passou. Terceira mão de cartas: Ciro Nogueira (PP-PI). Passou. Quarta tentatia. Deu Romero Jucá (PMDB-RR). Passou. Quinta rodada do sorteio. Suprema ironia: Renan Calheiros (PMDB-AL). Passou.
A coisa começava a ficar enfadonha. Sobreveio o sexto sorteio. Deu Humberto Costa (PT-PE). Para alívio generalizado, o ex-líder petista aceitou a incumbência. Ufa, alvíssaras!
Humberto tentou dar ares de normalidade às desistências que o precederam: “Alguns são parlamentares que tiveram, em algum momento, confronto com Demóstenes. Qualquer atitude tomada neste procedimento poderia ser encarada como retaliação ou vingança.”
Curioso, já que o próprio Humberto travou com Demóstenes homéricos embates no plenário do Senado. O relator anunciou para a próxima terça (17) a divulgação de um plano de trabalho. Vai-se marcar, então, a data para a inquirição do acusado.
De resto, ante contestações feitas por Demóstenes à interinidade de Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), os membros do Conselho decidiram confirmá-lo no posto de presidente do colegiado.
Valadares, a propósito, foi à poltrona de presidente depois que o PMDB, dono do trono, abdicou da prerrogativa de indicar um nome. Numa bancada de 18, não foi encontrado um mísero cristão disposto a assumir o papel de chefe da inquisição.
Do Blog do Josias de Souza
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