A Câmara viveu um dia atípico. Normalmente vazio nas manhãs de terça, o plenário ficou apinhado. Coisa de 600 pessoas. Mais do que os 513 deputados federais com assento na Casa.
Deu-se numa sessão em homenagem ao Santos Futebol Clube, que celebra seu centenário no sábado (14). Serviram de chamarizes os craques Neymar e Ganso. Acompanhados de familiares, servidores interromperam o serviço para tietá-los.
Até o ministro Gilmar Mendes, do STF, cruzou a Praça dos Três Poderes para render homenagens aos jogadores. O assédio foi tão intenso, que a dupla teve de esconder num restaurante próximo ao plenário à espera do início da sessão.
Em discurso, Marco Maia, o presidente da Câmara, referiu-se a Neymar como “futuro melhor jogador da história.” Heimm?!? “Um dos”, corrigiu-se o deputado, como que se dando conta de que o verbete da enclopédia já inclui Pelé.
Foi uma sessão inebriante. Por uma hora e meia, respirou-se na Câmara uma atmosfera de campo de futebol. Um grupo de deputados animou-se a entoar o hino do Santos. Ouviram-se gritos de guerra próprios das arquibancadas.
Tudo a ver. Afinal, o Congresso é muito parecido com o gramado. A diferença é que o campo não é demarcado, a bola é quadrada, vale canelada e gol contra, por vezes, conta a favor. Não há juiz. Mas não faltam personagens merecedores do epíteto de ladrão.
Por Josias de Souza
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