Enviado por Ricardo Noblat -
Mundo
Priscila Guilayn, O Globo
“Uma manhã histórica”. Foi assim que os jornais espanhóis definiram a primeira vez em que um monarca do país reconheceu publicamente ter cometido um erro.
Com uma expressão entre o constrangimento e a tristeza, o rei Juan Carlos I pediu desculpas por seu safári em Botsuana, que lhe rendeu uma fratura no quadril e uma enxurrada de críticas por gastar dinheiro com caça a elefantes no auge da crise econômica no país.

Foto: AP
Ao invés de um comunicado oficial, o monarca optou por gravar uma mensagem sucinta para rádio e TV.
— Sinto muito. Errei e não acontecerá de novo — disse, no corredor do hospital, ao sair caminhando de muletas até o carro oficial que o levou ao Palácio da Zarzuela, onde passará 45 dias em convalescença.
A reação dos partidos políticos foi relativamente discreta. No dia anterior, quase todas as legendas haviam criticado a viagem de caça do rei à África, na qual se acidentou, na sexta-feira, e teve de ser trazido a Madri em avião particular. A iniciativa do rei acalmou os ânimos, e os pedidos de abdicação — uma reivindicação frequente nos últimos dias — parecem ter sido deixados de lado.
— Há uma frase que se diz muito: a Espanha não é monárquica, é ‘juancarlista’.
Pois bem, este ‘juancarlismo’ foi seriamente atingido. O pedido de desculpas com cara de tristeza pode ajudar a conservar um mínimo de identificação com a instituição. Mas esta mancha, por mais que tentem limpar, não vai sair. Este episódio serviu para enfraquecer, um pouco, a aura de intocável que a família real espanhola sempre projetou — opina o cientista político José Manuel Mata, da Universidade do País Basco.
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Priscila Guilayn, O Globo
“Uma manhã histórica”. Foi assim que os jornais espanhóis definiram a primeira vez em que um monarca do país reconheceu publicamente ter cometido um erro.
Com uma expressão entre o constrangimento e a tristeza, o rei Juan Carlos I pediu desculpas por seu safári em Botsuana, que lhe rendeu uma fratura no quadril e uma enxurrada de críticas por gastar dinheiro com caça a elefantes no auge da crise econômica no país.
Foto: AP
Ao invés de um comunicado oficial, o monarca optou por gravar uma mensagem sucinta para rádio e TV.
— Sinto muito. Errei e não acontecerá de novo — disse, no corredor do hospital, ao sair caminhando de muletas até o carro oficial que o levou ao Palácio da Zarzuela, onde passará 45 dias em convalescença.
A reação dos partidos políticos foi relativamente discreta. No dia anterior, quase todas as legendas haviam criticado a viagem de caça do rei à África, na qual se acidentou, na sexta-feira, e teve de ser trazido a Madri em avião particular. A iniciativa do rei acalmou os ânimos, e os pedidos de abdicação — uma reivindicação frequente nos últimos dias — parecem ter sido deixados de lado.
— Há uma frase que se diz muito: a Espanha não é monárquica, é ‘juancarlista’.
Pois bem, este ‘juancarlismo’ foi seriamente atingido. O pedido de desculpas com cara de tristeza pode ajudar a conservar um mínimo de identificação com a instituição. Mas esta mancha, por mais que tentem limpar, não vai sair. Este episódio serviu para enfraquecer, um pouco, a aura de intocável que a família real espanhola sempre projetou — opina o cientista político José Manuel Mata, da Universidade do País Basco.
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