domingo, 1 de abril de 2012

POLÍTICOS NÃO MENTEM. OK, HOJE É 1º DE ABRIL...




(Charge: Téo/Folha de Pernambuco)

Por Amanda Seabra
Da Folha de Pernambuco

A reportagem da Folha de Pernambuco informa a todos os seus leitores que não existe mais políticos mentirosos e corruptos no Brasil. E, neste ano de eleições municipais, apenas pessoas decentes e corretas chegarão ao poder. O quê? Não acredita? Ok, é mesmo muito difícil pegar alguém no 1º de abril com uma mentira tão descabida como essa! Quem acreditaria nisso? Mas, pensando bem, de certa forma, a maior parte da população brasileira acaba caindo no “conto do vigário“ a cada eleição que passa. E depois, sempre fica aquela sensação de que muito menos do que deveria foi feito e que muito de errado acontece longe das vistas dos eleitores.

Para muitos brasileiros as palavras “político” e “mentiroso” são sinônimas. Depois de tantos anos de campanhas ilusórias e de promessas não cumpridas, o que mais se vê por aí são pessoas desiludidas com a classe política. Colocações do tipo “político é tudo farinha do mesmo saco” ou “não voto em mais ninguém, não acredito em nenhum” são recorrentes quando o povo é questionado sobre o tema. Por outro lado, a mentira está no dia a dia de todos, em todas as relações e profissões e, portanto, está, também, no universo político. Para o publicitário José Nivaldo Júnior, que participa de campanhas eleitorais desde 1978, mentir faz parte da natureza do homem e é preciso diferenciar o que é nocivo e o que não é.

“Há quem defenda que mentir faz parte da natureza humana numa sociedade competitiva e é um importante instrumento de interação social. Uma pessoa normal mente centenas de vezes por dia, geralmente sem se aperceber. O que é importante é separar as mentiras corriqueiras e inocentes das que têm caráter patológico ou são ditas com o objetivo deliberado de prejudicar alguém. Nas campanhas eleitorais, frequentemente, o político faz promessas além da sua capacidade de cumprir, mas isso não configura uma mentira. É uma espécie de licença poética, que o eleitor entende, assimila e não cobra depois. O que não se confunde com um compromisso anunciado com a intenção de ludibriar o eleitor”, diz Nivaldo.

Apesar de ser fácil encontrar quem critique político, a cada eleição o povo torna a se encher de esperança. Os candidatos apresentam as suas propostas, seus planos de transformar a cidade, o Estado ou o País. Parece que nasceram com o dom da palavra, são especialistas em colocar bem ali, quase ao alcance das mãos, os sonhos do povo. Os candidatos, especialmente aqueles que normalmente se elegem, falam bonito, chegam a emocionar e tocam o coração das pessoas. Se o que é dito durante a campanha eleitoral é verdade ou não parece pouco importar, o que vale mesmo é alimentar os desejos mais íntimos em troca de uma “coisinha à toa”: o voto.

Mas essa sedução através da palavra, própria dos políticos, não é uma invenção recente, ela remete à Grécia antiga, com os sofistas, uma espécie de professor dos jovens que desejavam se tornar governantes na república ateniense. Os sofistas ensinavam esses jovens a falar bem, a argumentar, o que chamamos de oratória e retórica. “Ao ensinar a montar uma argumentação, organizar as ideias, se ensinava também a tocar o coração das pessoas. Na política a ideia é alimentar uma esperança, levantar a possibilidade de concretizar um sonho e os sonhos não têm limites e, consequentemente, a promessa em cima do sonho, da esperança também não precisaria ter limites. Esses políticos foram uma verdadeira praga em Atenas, eram os chamados demagogos”, explicou o historiador da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Antônio Alves.
1º de abril:políticos não mentem

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