terça-feira, 3 de abril de 2012

PARA ECONOMISTAS, PACOTE DO GOVERNO É PONTUAL


 
A avaliação dos economistas sobre o pacote do governo de incentivo à indústria, anunciado hoje, é de que as medidas são pontuais e precisam ser realizadas reformas estruturais que resolvam o problema do setor. Embora façam avaliações diferentes sobre as medidas, eles apontam que é preciso uma política industrial que incentive a inovação e reformas que reduzam os custos da produção.

"É difícil achar algo de positivo no pacote anunciado", diz ao G1 o economista Jason Vieira, da consultoria Cruzeiro do Sul. Para ele, o pacote de medidas anunciadas pelo governo para aumentar a competitividade da indústria terão "impacto muito limitado na produção industrial", diferente do que o governo pretende.

Já para o professor de economia da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite, as medidas trazem um alívio para a indústria, embora não resolvam o problema da indústria. "De modo geral, o pacote foi posotivo dentro do espírito das medidas que já vinham sendo tomada pelo governo. Não houve novidades", disse.

A FecomercioSP divulgou nota em que considera que o plano "não estimula o desenvolvimento do país, (...) apenas maquia problemas, como o tamanho do Estado e o peso da carga tributária, tanto na produção quanto na folha de pagamento, sem, contudo, trazer vantagens significativas para ampliar a competitividade do País".

A medida de desoneração da folha de pagamento teve análise contraditória entre os economistas. Em troca dos 20% de contribuição patronal do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), mais 11 setores vão ter o faturamento tributado de 1% a 2%, segundo o anúncio.

Para Vieira, essa mudança é negativa. "Tiveram de pedir silêncio à plateia porque houve muita gente reclamando da medida. Dependendo do faturamento e do nível de utilização de mão de obra, a medida pode encarecer o tributo". Leite citou essa como uma das medidas mais positivas, que sinalizam mudanças tributárias como as que o país tem de fazer. "É positivo porque se o faturamento cair, o imposto cai também. A medida torna um custo que era fixo em variável, o que é bom para a indústria", avalia. A Fecomercio também citou esse como um ponto positivo do pacote.

A entidade diz que o pacote é uma junção de medidas pontuais que respondem somente a demanda e a pressão de um setor específico, o industrial, sem resultar em melhoras efetivas para a economia nacional. Eles consideram que é preciso reduzir a carga tributária do produto nacional para reduzir o consumo, não criar mais barreiras à exportação.
 
Do Blog de Magno Martins

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