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Os bispos do Brasil estão reunidos em
Assembleia no Santuário de Aparecida (SP). É um evento que se repete
todos os anos e orienta as Dioceses do Brasil para renovar a
evangelização.
Por curiosa coincidência, se completam 50 Assembleias justo quando se completam 50 anos da abertura do Concílio, ocorrida em 1962.
Como pode acontecer a mesma contagem, com datas diferentes?
A explicação é simples. Nos primeiros tempos, a CNBB se reunia de dois em dois anos. Depois passou a se reunir anualmente.
A coincidência não estava, certamente,
nos planos de ninguém. Mas acabou reforçando a estreita relação
existente entre a história da CNBB e o Concílio Ecumênico Vaticano
Segundo.
A CNBB foi fundada dez anos antes do
Concílio. E isto não foi nada irrelevante. Ao contrário, quando chegou o
Concílio, os bispos do Brasil já tinham a sua “conferência episcopal”,
coisa que poucos países tinham. Isto possibilitou que os bispos
brasileiros contassem com a valiosa ajuda da articulação entre os
episcopados, que a CNBB começou a fazer, valendo-se, sobretudo, da
agilidade de Dom Helder Câmara, o seu Secretário Geral.
A CNBB foi fundada em 1952, quando, dá
pra dizer, nasceu e foi batizada, assumindo sua identidade própria de
“conferência episcopal”. Mas foi durante o Concílio que a CNBB foi
“crismada”, se consolidando como expressão prática de instituição a
serviço da “colegialidade episcopal.”
Foi graças a CNBB que o local onde se
hospedavam os bispos do Brasil acabou ficando ponto de referência para o
aprofundamento dos temas em debate no Concílio, em vista da
consolidação dos grandes consensos que depois eram expressos nas
votações conciliares.
Uma das decisões práticas do Concílio foi
exatamente a organização de todos os episcopados nacionais em
“Conferências Episcopais”. Já teria bastado a experiência positiva do
Brasil para recomendar a implantação das Conferências Episcopais em
todos os países.
Das 50 Assembleias já realizadas, uma das
mais importantes foi sem dúvida a de 1965, quando o Concílio ainda
estava em pleno andamento, e os bispos do Brasil, ainda em Roma, se
deram conta que deviam se organizar para implementar as orientações do
Concílio. Foi então que decidiram aprovar o primeiro “Plano de Pastoral
de Conjunto”, para a aplicação do Concílio, a ser assumido por todas as
dioceses.
Assim, a CNBB colaborou para a realização do Concílio. E a CNBB foi decisiva para a aplicação do Concílio na Igreja do Brasil.
Por isto, a coincidência deste ano é
muito mais do que ocasional. É a feliz expressão da profunda
convergência entre CNBB e Concílio Vaticano II.
Que bom, no 60º aniversário da
Conferência e na 50ª Assembleia Geral da CNBB, os bispos vão convidar
novamente toda a Igreja do Brasil a acolher esse apelo e exortação. O
fruto só pode ser promissor!
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