domingo, 15 de abril de 2012

ECLIPSE OCULTO


  
Diario Político

Marisa Gibson mgibson.pe@dabr.com.br

Recife, domingo, 15 de abril de 2012

Eclipse oculto

Com 42 anos de militância no PT e ostentando uma densidade eleitoral invejável, o deputado federal João Paulo, que deu ao partido três vitórias consecutivas na Prefeitura do Recife, se encontra na contingência de escolher entre “o inseto e o inseticida”, como diz Caetano Veloso na música Eclipse oculto. Ou seja: terá que optar pelo o que for menos letal para o seu futuro político. De um lado o prefeito João da Costa, de quem se considera traído. Do outro, o senador Humberto Costa, seu grande adversário dentro do PT desde 1982 - trinta anos de disputa interna. Se optar por apoiar Maurício Rands, secretário estadual de Governo, na prévia do partido, João Paulo estará capitulando perante Humberto ao mesmo tempo que coloca um limite em sua própria liderança. Eleito prefeito, se for o caso, Rands terá tudo para se tornar uma estrela reluzente no PT, e João Paulo ficará à sua sombra e sem espaço para 2014. Se não apoiar Rands, estará favorecendo seu arquiinimigo João da Costa e, se concorrer à prévia e perder, será catastrófico para ele. Embora nunca tenha declarado textualmente, João Paulo gostaria, sim, de retornar à Prefeitura do Recife mas está num beco sem saída, numa situação política semelhante à do senador Armando Monteiro Neto (PTB), embora se saiba que ele é um grande eleitor no Recife podendo eleger qualquer candidato do PT. No ano passado, quando as divergências com João da Costa e Humberto chegavam ao ponto máximo, João Paulo ensaiou deixar o partido mas não teve coragem. Quando deixou a Prefeitura do Recife, João Paulo tinha 88% de aprovação e sabendo do seu poder eleitoral afirma que está disposto a ajudar o PT a ter um candidato com força suficiente para manter o partido no comando da cidade. Para ele, o candidato tem que ter o apoio do povo, unir o PT e a Frente Popular. O crucial desta história é que nem João da Costa nem Maurício Rands reúne estas três condições e João Paulo promete sua resposta para a próxima semana. Se dependesse do povo, diz ele, disputaria a prévia. Mas no partido a realidade é outra.

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