quarta-feira, 21 de março de 2012

O ERRO DE JOÃO DA COSTA FOI POLÍTICO


Coluna Fogo Cruzado – Folha de Pernambuco – 21 de março de 2012

O prefeito João da Costa recebeu ontem a desagradável notícia de que a ala do PT liderada pelo senador Humberto Costa não irá apoiá-lo à reeleição. Na próxima sexta-feira o senador irá à prefeitura com o presidente estadual do partido, Pedro Eugênio, para dar-lhe ciência em caráter oficial de que o candidato do seu grupo será o deputado federal Maurício Rands. Isso ainda não significa que o prefeito está fora do jogo e sim que perdeu o apoio político da ala majoritária do seu partido.

Essa má notícia veio na hora em que o prefeito mais precisa de apoio para consolidar-se no PT como candidato à reeleição. A partir de agora, as energias que ele poderia gastar na campanha à reeleição vão estar direcionadas para outro alvo: as prévias que o partido terá que fazer para definir o candidato. Não se pode subestimar o poder de fogo de uma prefeitura como a do Recife, com 2.400 cargos comissionados à disposição do prefeito. Mas a questão é política e não administrativa.

O prefeito do Recife cometeu um erro ao brigar com João Paulo e ao não dividir o poder com toda a Frente Popular. Com isso, ficaram descomprometidos com o seu governo partidos como PTB, PP, PDT e PSC. Só para efeito de comparação, Eduardo Campos ganhou a eleição em 2010 com quase três milhões de votos de vantagem sobre Jarbas Vasconcelos. Mas em janeiro de 2011 já estava criando a Secretaria de Meio Ambiente para acomodar um partido político que não o apoiara: o PV.

Petismo 1 – Maurício Rands fez as contas com Humberto Costa e chegou à seguinte conclusão: a corrente petista “Construindo um Novo Brasil”, que é liderada pelo senador, tem hoje 55% dos votos do diretório municipal do Recife, instância que indicará o candidato a prefeito.

Petismo 2 – Esse percentual de votos no PT já garantiria a Rands uma vitória nas prévias. Mas o esforço dele e do senador é para que não haja necessidade de eleições primárias. Para tanto, a corrente CNB está trabalhando para tentar conseguir até abril 66% dos votos dos diretorianos.

Petismo 3 – O vice do Recife, Milton Coelho (PSB), avisou ao prefeito João da Costa que ele tem o apoio de Eduardo Campos para disputar a reeleição, mas a notícia carece de confirmação. Até a semana passada, a posição do governador era no sentido de não opinar sobre as questões internas do PT. Quando o partido definir o seu candidato, ele oficialmente dirá que o apóia.

Petismo 4 – Antes de aceitar a convocação de Humberto Costa para disputar as prévias no PT contra o prefeito João da Costa, Maurício Rands sondou os presidentes dos partidos que gravitam no “projeto alternativo” do senador Armando Monteiro. Todos admitem apoiá-lo em nome da unidade da Frente Popular. A 1ª opção desse bloco era o ministro Fernando Bezerra.

Petismo 5 – Partidário da reeleição de João da Costa, o presidente do PT do Recife, Oscar Barreto, está com o coração dividido. Ele é um dos três adjuntos do secretário Ranilson Ramos (agricultura), que já está envolvido até o pescoço com a candidatura de Maurício Rands (PT).

Petismo 6 – Se perder a prévia no PT para Maurício Rands, João da Costa fechará as torneiras da prefeitura para a campanha do partido, que terá que recorrer a outras fontes. Como candidato em 2008, o atual prefeito teve suas despesas de propaganda pagas pela direção nacional.

Petismo 7 – Pesquisa realizada no Recife por encomenda do PSB aponta o governador Eduardo Campos como “maior eleitor” da capital, à frente inclusive de João Paulo. Este último, segundo pesquisas do Instituto Maurício de Nassau, está perdendo aos poucos o seu capital político. Tinha 47% de intenções de voto em dezembro, caiu para 45% em fevereiro e agora tem 41%.
 
Por Inaldo Sampaio

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