Coluna Fogo Cruzado – Folha de Pernambuco – 15 de março
Ouve-se dizer em Brasília, desde o governo FHC, que nenhum presidente governa o Brasil sem o apoio do PMDB. O partido não tem programa nem bandeira. Mas, como diz o ex-deputado Maurílio Ferreira Lima é um “latifúndio eleitoral”. Tem 18 senadores e quase 80 deputados federais, vários governadores e vices e está organizado em todos os estados. Daí a versão de que presidente nenhum governa o país sem o apoio desse partido. Que, além de forte, tem um belo tempo de televisão.
Como é neófita na política e não conhece o poder de fogo da “trinca” Sarney-Renan Calheiros-Romero Jucá, a presidente Dilma Rousseff resolveu enfrentá-los. Destituiu Jucá da liderança do governo e indicou para substituí-lo o senador Eduardo Braga, tido como “independente” dentro do partido. Entenda-se por “independente” a não submissão aos interesses do grupo que controla o partido no Congresso, indicando quem deve ir para a mesa diretora, à liderança e à presidência de comissões.
Dilma resolveu quebrar esse tabu convidando para ser seu líder um senador que não se subordina àquele trio. Se dará certo ou não é outra história, mas pelo menos terá tentado. Ela sempre ouviu dizer que é possível governar o Brasil, sim, sem ser refém dos peemedebistas e resolveu pôr em prática esse ensinamento. Se não sofrer novas derrotas no Senado por conta da destituição de Jucá da liderança, sairá fortalecida para afastar também Sarney da presidência em 2013 e Renan do comando da bancada.
Por Inaldo Sampaio
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