
Dilma está colhendo os efeitos de não ter reagido logo no início de seu governo às investidas fisiológicas dos partidos que lhe dão sustentação, como faz agora o PMDB, em aberta rebelião contra o governo por cargos. O raciocínio é do jornalista Carlos Chagas, em seu artigo de hoje em jornais de todo o País. ‘’Contemplar partidos aliados com representação no ministério é uma coisa. Ceder a ultimatos, outra bem diferente. O resultado parece um ministério em boa parte servindo de feudo para grupos interessados em fortalecer-se, para não admitir coisa pior, e um governo que poderia ter realizado muito mais’’, diz o articulista.
‘’Deu no quê, a tolerância da presidente Dilma diante da pressão dos pequenos partidos de sua base parlamentar, entregando cada vez mais carne às feras em termos de ministérios, nomeações e espaços fisiológicos?’’
PUPILOS DE TEMER
Vale a pena ir um pouco mais no raciocínio de Chagas em torno do assunto:
"Agindo assim com o PR, o PDT, o PP, o PSB e um monte de pequenas siglas que a gente nem decora as letras, a chefe do governo assiste agora a revolta chegar ao PMDB. São os pupilos de Michel Temer que deixam de lado o pudor e assinam manifesto protestando contra o tratamento recebido, em especial comparado com o devido ao PT. Reclamam de um diálogo para eles desigual e injusto, acentuando disporem de ministérios sem importância. Parece desejarem, mesmo, ministérios com polpudas verbas orçamentárias para obras e serviços. Nem adianta perguntar porque.’’
Lembra Chagas que, na noite de quinta-feira, quando o texto foi eletronicamente encaminhado ao palácio do Planalto, já contava com 45 assinaturas, da bancada de 76 na Câmara Federal. Neste fim de semana e amanhã, serão quase todos. E com aval do vice-presidente da República, para não falar da liderança do líder Henrique Eduardo Alves.
VENDO NAVIOS
"No fundo dessa rebelião, como fator imediato que determinou o manifesto, estão as eleições para a prefeitura de São Paulo. O PMDB não engoliu a iniciativa da presidente Dilma de abrir espaço no ministério para o partido do senador Marcelo Crivela, só porque seus poucos integrantes ameaçavam apoiar a candidatura de José Serra. Como na mesma situação encontram-se o PR e o PDT, espera-se para logo depois da volta da presidente de sua viagem à Alemanha a devolução dos ministérios dos Transportes à cúpula do PR e do Trabalho aos caciques do PDT. Ficará reforçada a candidatura de Fernando Haddad, do PT, bem como enfraquecidas as chances de Gabriel Chalita, do PMDB.
"Assim, como fica o PMDB nacional? Vendo navios, sendo desprestigiado e seguindo a reboque do PT, dizem os líderes do outrora maior partido nacional. Sentindo fracas as estruturas do governo, decidiram partir também para ameaças e exigências.
De Blog de Magno Martins
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