Coluna Fogo Cruzado – Folha de Pernambuco – 1º de dezembro
Ensinava Paulo Guerra, que assumiu o Governo do Estado em 64, após a queda de Miguel Arraes, que na política dois advérbios de tempo não existem: “nunca” e “jamais”. Isto significa que político que leva a sério a sua arte deve evitar expressões como “jamais farei aliança com fulano”, “nunca mais sentarei à mesa com beltrano”, etc. Descendente daquela mesma escola, o ex-senador Marco Maciel acrescentou ao ensinamento do ex-governador um terceiro advérbio de tempo: “sempre”.
Foi para dizer que na política frases como “sempre serei seu aliado” ou “conte sempre com o meu apoio” costumam ser ignoradas pelos fatos. Porque a política, por mais lugar comum que isso possa parecer, é uma atividade dinâmica. Hoje se está de um lado e amanhã se está de outro, dependendo das circunstâncias. Quem diria, por exemplo, que Arraes convidaria Antonio Farias para ser seu senador, que Carlos Wilson se filiaria ao PT e que Joaquim Francisco seria suplente de Humberto Costa?
Entretanto, tudo isso houve em Pernambuco e o povo não se escandalizou, muito pelo contrário, encarou com absoluta naturalidade. Daí a pisada de bola do deputado João Paulo quando declarou ao programa “Ponto Final”, da TV Jornal, ser “impossível” sua reaproximação com o prefeito João da Costa. Ora, na política e no amor nada é impossível e o próprio ex-prefeito sabe disto. Basta um pedido de Lula ou de Dilma para ele apoiar a reeleição de João da Costa e o “impossível” vira “possível”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário