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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

FRASE DO DIA



Eu fui candidato cinco vezes, vocês nunca me viram na TV ser agressivo com alguém. Porque eu acho que se um homem fosse chamar o outro de mentiroso na cara, era pra sair logo 'no pau'.

LULA, QUE CHAMOU SARNEY DE LADRÃO E ITAMAR FRANCO DE FILHO DA PUTA.

CHARGE DO DIA

MAIS UM PERNAMBUCANO É ELEITO PARA A ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS


O diplomata e historiador pernambucano Evaldo Cabral de Melo foi eleito nesta quinta-feira (23) para a cadeira 34 da Academia Brasileira de Letras.

Ele obteve 36 dos 37 votos possíveis e irá substituir o escritor baiano João Ubaldo Ribeiro.

Cabral de Mello foi candidato único e, segundo ele próprio, só se candidatou por insistência dos amigos imortais Eduardo Portella, Alberto da Costa e Silva e Alberto Venâncio Filho.

Também estão na Academia, entre outros, os pernambucanos Geraldo de Hollanda Cavalcanti (presidente) e Marcos Vinícius Vilaça.

Evaldo é irmão do poeta e também diplomata pernambucano João Cabral de Melo Neto (1920-1999) e estudioso da ocupação holandesa em Pernambuco (1630-1654), tema sobre o qual já publicou diversos livros, entre eles “A outra Independência — O federalismo pernambucano de 1817 a 1824” e “O negócio do Brasil”.

Na próxima quinta-feira haverá nova eleição para a escolha do substituto de Ariano Suassuna e o candidato favorito é o jornalista Zuenir Ventura.

NÃO DEU SORTE A JUNÇÃO COM O PSDB




Coluna Fogo Cruzado – 24 de outubro

Caso se confirma a vitória de Dilma no próximo domingo, a relação entre o Palácio do Campo das Princesas e o Palácio do Planalto será meramente institucional

As pesquisas do Ibope e Datafolha divulgadas ontem, mostrando Dilma à frente de Aécio, pela primeira vez neste segundo turno, acima da margem de erro, sepultaram as esperanças da Frente Popular de alinhar o governo Paulo Câmara com o Palácio Planalto. Até outubro de 2013, como se lembra, esse alinhamento foi benéfico para o Governo do Estado. Por ter sido aliado de Lula em cinco campanhas presidenciais, o PSB conseguiu o que quis com Lula e Dilma por meio do governador Eduardo Campos. A partir de janeiro, porém, caso se confirme a vitória da petista, o tratamento de “pai para filho” será coisa do passado. Ela não vai, obviamente, retaliar o Estado por causa da posição política do governador, mas a relação será meramente institucional. Paulo Câmara sabia que pagaria um preço se Dilma ganhasse a eleição. Mas não teve receio de aliar-se ao PSDB, que nunca havia marchado com o PSB numa campanha presidencial.

É o voto da gratidão

De passagem ontem pelo Recife, o vereador (em Triunfo) e ex-presidente da UVP, João Batista Rodrigues (PTB), disse ter uma explicação para o amplo favoritismo de Dilma (PT) na região Nordeste (70% x 30% de Aécio, segundo o Datafolha): o “voto da gratidão”. Segundo ele, a maioria dos nordestinos vai votar em Dilma não apenas pela Bolsa Família, mas pelo conjunto de ações que os governos dela e de Lula fizeram na região, “onde não se morre mais de fome”.

Futurologia – Confirmando-se a derrota de Aécio no próximo domingo, a Frente Popular entrará em 2014 com três candidatos à prefeitura do Recife: Geraldo Júlio (PSB), Daniel Coelho (PSDB) e Priscila Krause (DEM). O PT, favorecido pela eventual vitória de Dilma, tentará reconquistá-la com o senador Humberto Costa ou mesmo com o deputado derrotado João Paulo.

Gratidão – Em caso de vitória de Dilma, ela será eternamente grata a Marília Arraes (PSB), única pessoa da família de Eduardo Campos que se negou a apoiar Aécio Neves (PSDB).

Playboy – Para contrapor-se à imagem de “playboy”, com que o PT tentou carimbá-lo, Aécio passou a viajar o Brasil em companhia da filha, Gabriela, para mostrar que também tem família.

Cardápio – De Lula, 4ª passada, num comício em Campo Grande (MS): “Pobre, depois do meu governo, deixou de comer pescoço de galinha. Agora só compra peito, coxa e sobrecoxa”.

2º turno – O PT vai garantir no próximo domingo mais um governo estadual para o partido: o do Ceará. Graças à força dos irmãos Ciro e Cid Gomes, que se filiaram ao PROS após sair do PSB rompidos com Eduardo Campos, será eleito o deputado estadual Camilo Santana.

Paixão – O advogado Antônio Campos agradece aos membros do PSB que andaram cogitando o nome dele para disputar a prefeitura de Olinda em 2016, mas diz que não tem interesse nesse projeto. Sempre participou da política, secundariamente. Mas sua grande paixão é a literatura.

Perfil – Coordenador da campanha de Paulo Câmara (PSB) no Pajeú, o ex-prefeito de Itapetim, Adelmo Moura (PSB), declarou no Recife que ele deixou “ótima impressão” perante os sertanejos por duas coisas: “humildade e simplicidade”. Já o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) registrou numa entrevista o fato de o governador eleito ser “bom caráter” e uma pessoa oriunda da classe média.

Ministro – Tivesse o PTB apoiado Dilma, o senador Armando Monteiro (PE) seria um forte candidato ao Ministério do Desenvolvimento Econômico, em caso de vitória dela no próximo domingo. Como o partido não está na coligação que apoia a atual presidente, o senador pernambucano pode até fazer parte do próximo governo, mas na “quota pessoal” dela, e não do partido.

VANTAGEM DE DILMA NO NORDESTE É DE 42 PONTOS PERCENTUAIS


Pesquisa do Ibope divulgada nesta quinta-feira (23) revela que a presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff (PT), abriu 42 pontos percentuais de vantagem sobre Aécio Neves (PSDB), no Nordeste, que tem o segundo maior eleitorado do Brasil.

De acordo com o levantamento, Dilma tem 68% dos votos totais no Nordeste, ante 26% do tucano. Trata-se da região do país onde a diferença entre os dois adversários é a maior.

Aécio caiu nesta pesquisa em todas as regiões do país, menos no Sudeste – a única em que ainda lidera com vantagem acima da margem de erro: 47% a 39%.

Dilma subiu 14 pontos percentuais no Sul, 6 no Norte/Centro-Oeste e oscilou 1 ponto para cima no Sudeste.

Os dois presidenciáveis estão tecnicamente empatados no Norte/Centro-Oeste (Dilma 47%, Aécio 45%) e no Sul (46% a 45%, respectivamente).

Pesou em favor de Dilma no Nordeste a entrada do ex-presidente Lula na campanha, especialmente na Bahia que tem o quarto maior colégio eleitoral do Brasil. Lá, inclusive, o PT elegeu o governador no primeiro turno: o deputado federal Rui Costa com apoio do atual governador Jaques Wagner(PT).

O Ibope ouviu 3.010 eleitores entre os dias 20 e 22 de outubro em 203 municípios de todo o País.

PANCADARIA DE AÉCIO FAVORECEU DILMA ROUSSEFF


A presidente Dilma Rousseff (PT) começou a suplantar Aécio Neves (PSDB) nas pesquisas de opinião a partir do debate do SBT realizado quinta-feira da semana passada.

Naquele debate, erroneamente orientado por seus marqueteiros e pelo coordenador nacional de sua campanha, senador José Agripino (DEM-RN), o tucano partiu para cima da presidente com os dois pés, chamando-a várias vezes de “leviana” e “mentirosa”.

Passou uma imagem de agressividade que não é a sua e acabou perdendo 6% dos votos das mulheres, segundo o Datafolha.

O crescimento da presidente se deu em razão dos votos dos eleitores indecisos, que na pesquisa Ibope oscilou de 5% para 3%.

A última esperança do candidato do PSDB de ultrapassar a presidente é o debate da TV Globo, nesta sexta-feira, em que deve partir para o “tudo ou nada”. Mas é improvável que consiga virar o jogo a 48h da eleição.

AÉCIO DEBATERÁ MA TV GLOBO COM UMA EX-DILMA

Josias de Souza






Na noite desta sexta-feira, a TV Globo exibirá o último debate presidencial da sucessão de 2014 —Dilma ‘53%’ Rousseff X Aécio ‘47’ Neves. O telespectador que não quiser fazer papel de bobo precisa assistir antes ao debate levado ao ar pela mesma emissora em outubro de 2010. Nessa época, o tucano favorito para fazer de Dilma a próxima presidente da República era José Serra. As cenas estão disponíveis na internet. Nelas, soam cinco compromissos e declarações de Dilma:
Economia: “Sabe por que aumentou arrecação [tributária]? A gente, que crescia 2,5%, às vezes zero, esse ano estamos crescendo. A discussão é se é 7%, 7,5% ou 8%. Quando isso acontece, você arrecada mais sem aumentar impostos.”

Corrupção: “Malfeito, você pode ter certeza que em qualquer lugar onde houver impunidade ou não houver investigação ele vai ocorrer. É importante investigar e punir doa a quem doer e atinja a quem atingir.”

Educação: “Não há como fazer qualidade da educação sem pagar bem o professor. [...] Por isso, farei da campanha para pagamento de salário dos professores uma das questões fundamentais ao meu governo. Pagar bem o professor é o grande desafio que nós temos nos próximos anos, para além de qualquer outra coisa. A educação não irá pra frente se não remunerar o professor.”

Segurança: “O governo federal sempre disse: ‘Não é comigo, segurança pública é com os Estados. Não acho isso. Eu tenho um compromisso: é tão grave o problema da segurança pública que a União é obrigada a fazer uma política em cooperação com os Estados e municípios. E isso significa, primeiro, melhorar as polícias civis e militares dos Estados. [...] Considero que também tem de dar condições para os Estados montarem centros de referência, tanto na área da investigação quanto na área da perícia criminal. [...] Proponho também a criação de polícias comunitárias, principalmente nos bairros populares.”

Saúde: “De fato, temos um problema sério de qualidade da saúde no Brasil. Temos, sim, e se a gente não reconhecer que tem, a gente não melhora. Assumo o compromisso de melhorar a saúde. Primeiro, jogando o peso do governo federal na fiscalização da qualidade da prestação do serviço. Depois que a gente aumentar os valores dos repasses para Estados e municípios, nós vamos ter que completar a estrutura do SUS. O SUS é incompleto.”

Costuma-se dizer que o brasileiro não tem memória. Bobagem. O que o patrício não tem mesmo é curiosidade. Quem se preocupa em rever a maravilha que Dilma pretendia vir a ser em 2010 percebe que ela se tornou em 2014 uma personagem pior do que já foi. Quem vê no tucano Aécio Neves uma opção ainda mais precária pode manter o voto na oponente dele. Mas fará isso sem passar por bobo, consciente de que optou por uma ex-Dilma.

Na economia, aquele crescimento chinês superior a 7% com que Lula eletrificou sua “poste” virou estagnação. As manchetes sobre corrupção não conseguem mudar de assunto. Mudam, no máximo, de corrupto. Não há vestígio de campanha presidencial em defesa dos contracheques dos professores. A segurança continua sendo feita integralmente de insegurança. E o SUS ainda é o mais extraordinário ponto de partida para construir algo inteiramente novo em matéria de saúde pública. Caos não falta.

YOUSSEF INCRIMINOU DILMA E LULA, AFIRMA REVISTA

Josias de Souza

Em reportagem de capa, a revista Veja informa a menos de 72 horas da eleição presidencial: “O doleiro Alberto Youssef, caixa do esquema de corrupção na Petrobras, revelou à Polícia Federal e ao Ministério Público, na terça-feira, que Lula e Dilma Rousseff tinham conhecimento das tenebrosas transações na estatal.”

Acusado de lavar algo como R$ 10 bilhões em verbas de má origem, Youssef foi preso em março. Depõe como delator desde 29 de setembro. De acordo com o relato do repórter Robson Bonin, o doleiro está bem mais magro, exibe um rosto pálido, raspou o cabelo e livrou-se da barba. Habituado às sombras, ele agora rompe o silêncio com desassombro.

A alturas tantas, Youssef soou peremptório: “O Planalto sabia de tudo.” O delegado federal que o inquiria quis saber: “Mas quem no Planalto?” E o delator: “Lula e Dilma.” Exposto no site da revista, o teor da capa de Veja veio à luz mais cedo. Normalmente, costuma ser divulgado nas noites de sábado. Por ora, o Planalto, o Instituto Lula e o PT não se manifestaram.

Ouvido pelo jornal O Globo, o advogado de Youssef, Antonio Figueiredo Basto, admitiu que seu cliente presto depoimento à Polícia Federal na terça-feira, em Curitiba. Mas disse não ter conhecimento das declarações reproduzidas pela revista.

“Eu nunca ouvi nada que confirmasse isso. Não conheço esse depoimento, não conheço o teor dele. Estou surpreso”, disse Antonio Basto. Segundo ele, Youssef prestou vários depoimentos no mesmo dia. Acompanharam-no diferentes advogados.

“Conversei com todos da minha equipe e nenhum fala isso”, acrescentou Antonio Basto. “Estamos perplexos e desconhecemos o que está acontecendo. É preciso ter cuidado porque está havendo muita especulação.”

A despeito do alerta, o doutor preferiu não fazer um desmentido categórico: “Nós não temos como pegar em mãos e não ficamos com cópia de nada. Então, não nego nem confirmo se esse depoimento é verdadeiro, se essa informação foi dada ou não e se sim, em quais circunstâncias.”

Youssef já havia mencionado o nome de Lula num depoimento prestado há 15 dias ao juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato. Em audiência pública, não relacionada à delação premiada, o doleiro dissera que Paulo Roberto Costa, o ex-diretor que desviou dinheiro da Petrobras para políticos e partidos, foi nomeado por Lula sob chantagem de políticos governistas.

“Tenho conhecimento que, para que Paulo Roberto Costa assumisse a cadeira de diretor da diretoria de Abastecimento [da Petrobras], esses agentes políticos trancaram a pauta no Congresso durante 90 dias. Na época, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou louco, teve que ceder e, realmente, empossar o Paulo Roberto na diretoria de Abastecimento.”

ERA O QUE FALTAVA: GOVERNO ESCONDE ESTATÍSTICAS

Josias de Souza

Todas as opiniões de petistas e tucanos sobre as iniciativas do PT e do PSDB são suspeitas porque são de partidários. É impossível ser inteiramente objetivo sobre a própria espécie. Até a autocrítica de petistas e tucanos, se existisse, seria inconfiável. Os elogios, então, não merecem a mínima credibilidade. Fata-lhes o distanciamento e a isenção. Ou seja, você está sozinho.

23.out.2014 - Manifestantes fazem ato pelo voto nulo na praça da Sé, no centro de São Paulo, na tarde desta quinta-feira (23) Cris Faga/Fox Press Photo/Estadão Conteúdo

Numa democracia, esse regime que lhe assegura irrestrita liberdade para exercitar sua capacidade de fazer besteiras por conta própria, tudo o que você precisa para errar conscientemente é de informação. O horário eleitoral e os debates foram concebidos com o propósito de lhe informar. Mas o cinismo foi o mais próximo que o marketing conseguiu chegar da verdade.

O primeiro passo para decidir aonde você quer chegar com o seu voto é descobrir onde você está. A propaganda da candidata à reeleição se esforça para lhe convencer de que o Brasil que você vê não é o Brasil de verdade, é outro país. Quando você sai de casa e dá de cara com o Brasil que a propaganda governista diz que não é o Brasil, você deve ficar tentado a perguntar de si para si: se não é o Brasil, que diabo de país é este?

Noutros tempos, você ainda podia recorrer às estatísticas oficiais para tentar se localizar. Já não pode mais. Os repórteres Fábio Takahashi e Sofia Fernandes informam que o governo decidiu adiar para depois da eleição a divulgação de dados negativos.

Já tinham descido à gaveta os números sobre o desmatamento e a atualização de um estudo sobre a quantidade de pobres e miseráveis no país. Pois decidiu-se sonegar aos refletores até o desempenho dos alunos brasileiros em português e matemática e o montante de tributos coletado pelo fisco.

Que país é esse?, você volta a perguntar aos seus botões, que não respondem porque não falam com qualquer um. Olhando ao redor, você vê alastrar-se a seca. Antes restrita ao Nordeste, a falta d’água já infelicita cariocas e, sobretudo, paulistas. No Rio, as torneiras secam na Baixada Fluminense. São Paulo já está na segunda cota do volume morto do sistema Cantareira.

Numa dessas, você acaba se convencendo de que o Brasil é, em verdade, um imenso deserto. Como a metereologia não prevê grandes precipitações pluviométricas até o domingo das eleições, o melhor que você tem a fazer é estocar água. A mistificação da propaganda eleitoral e o Saara estatístico talvez lhe privem da informação necessária para escolher o melhor presidente. Mas de sede você não morre.

ANIVERSARIANTE DO DIA

NOSSOS PARABÉNS, PARA QUERIDA KLEANY DIAS, MINHA AFILHADA, LEITORA DO NOSSO BLOG E JOVEM DE MUITO FUTURO!




quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O ÚLTIMO ADEUS AO EX-PREFEITO OZAIR CAVALCANTI

Por Magno Martins

Fotos: Otávio Souto


Localizada a 123 km do Recife, Vertentes, com 20 mil habitantes, no Agreste Setentrional, parou, há pouco, para prestar a última homenagem ao seu maior líder político, o ex-prefeito Ozair Cavalcanti, 74 anos, que morreu ontem no Recife, vítima de complicações renais e no fígado.

Uma multidão acompanhou o cortejo fúnebre pelas ruas da cidade até o cemitério, onde foi sepultado sob forte emoção. Homem de personalidade forte, advogado de carreira e político por vocação, Ozair governou a sua terra natal por duas vezes.

O primeiro mandato, de 1977 a 82, e o segundo de 92 a 96, conferiram a ele uma popularidade que nenhum gestor havia obtido no município, pela forma de administrar olhando os mais necessitados, com políticas públicas na área social.

“Ozair era o pai dos pobres”, define o vereador Jânio Arruda (PSD), de Taquaritinga do Norte, município próximo. Arruda teve uma longa convivência com Ozair, de quem recebeu apoio para disputar um mandato de deputado estadual nos anos 90. “Nunca vi um homem tão generoso com os pobres, mas também valente e destemido, de não levar desaforo para casa."


Fotos: Otávio Souto

A valentia do ex-prefeito, pai da jornalista Hylda Cavalcanti e do advogado e ex-vereador Severino Cavalcanti, que morreu afogado com apenas 31 anos, ganhou notoriedade na região e muita gente temia enfrentá-lo. Conta Jânio que Vertentes entrou para a história como a única cidade do País onde se assistiu a uma carreata na qual os carros andaram de ré.


Segundo ele, isso se deu quando uma nora de Ozair perdeu as eleições para prefeito e o candidato vencedor chegou a provocá-lo ao tentar incluir a sua casa no roteiro da carreata. “Quando a turma se aproximou da casa de Ozair, fazendo barulho e anarquia, ele pegou uma bazuca e atirou nos pneus de um dos carros. Neste momento, a carreata passou a andar para trás, de ré”, relembra Arruda.


Prefeito de Santa Cruz do Capibaribe, o ex-deputado Edson Vieira (PSDB) veio ao sepultamento do líder de Vertentes. De Ozair, recebeu apoio para disputar seu primeiro mandato de estadual, obtendo dois mil votos no município. “Mesmo fora do poder, Ozair tinha um grande poder de transferência de voto, porque era um líder natural, amado pelo povo, mas também odiado pelos adversários”, diz Vieira.

Ozair Cavalcanti é de uma geração em que a lealdade política estava acima de tudo. “Foi o primeiro prefeito a declarar apoio à candidatura de Roberto Magalhães a governador”, lembra o ex-deputado Agostinho Rufino, de Santa Cruz do Capibaribe, que também já foi apoiado pelo ex-prefeito quando disputou um mandato para a Assembleia Legislativa.

Segundo ele, só dona Geralda, a viúva, conseguia conter Ozair nas horas de fúria dos seus adversários. “Ozair enfrentou coronéis com uma bravura nunca vista, não tinha medo de assombração e gostava de fazer o bem”, observa, adiantando que dona Geralda, com o seu temperamento de santa, já tirou o marido de muita encrenca.

Fotos: Otávio Souto

Prefeitos, lideranças políticas, vereadores e deputados foram dar o último adeus a Ozair. Na multidão, muita gente se emocionou. Dona Maria José foi vista chorando em frente à sua casa com um quadro nas mãos trazendo a foto de Zito, como era conhecido o filho que Ozair perdeu tragicamente.

“Eu fui merendeira de uma escola no tempo em que Ozair era prefeito. Para mim, ele sempre foi um pai”, disse Maria. Um pouco mais na frente, o agricultor aposentado Antônio Assis, 72 anos, chorava copiosamente. “Seu” Ozair era o pai da pobreza, mesmo fora da Prefeitura nunca nos abandonou”, afirmou.



Já se disse que um líder não nasce, faz-se. Este conceito de liderança se aplica a Ozair Cavalcanti, que passa à história de Vertentes como mito. Construiu sua trajetória, depois de militar como advogado de causas populares, ao lado do seu povo, defendendo bandeiras, combatendo as injustiças. Foi de um tempo em que o município só tinha o FPM como receita, mas fez seus dois mandatos de forma honrada, deixando uma marca que ninguém será capaz de apagar.

CORPO DE OZAIR CAVANCANTI SERÁ SEPULTADO HOJE ÀS 11:00 HORAS NA CIDADE DAS VERTENTES


MORRE GRANDE AMIGO DE JÂNIO ARRUDA E DO POVO DE TAQUARITINGA DO NORTE


Faleceu na madrugada de ontem, no hospital Português, no Recife, onde estava internado há 20 dias com problemas renais, o ex-prefeito de Vertentes, Ozair Cavalcanti . Prefeito por duas vezes do município, Ozair é pai da jornalista Hylda Cavalcanti. O sepultamento será realizado hoje às 11:00 hs em Vertentes. Ozair era um homem de bem e muito querido na cidade. A saudades vai ser grande e deixa um legado para poucos!














FRASE DO DIA



Dia 26 vamos dar uma derrota em regra nos tucanos. Não vamos deixar nenhuma pena de tucano presa por aí. Vamos deixar elas espalhadas.

DILMA ROUSSEFF

CHARGE DO DIA

charge regi

ERA O QUE FALTAVA: GOVERNO ESCONDE ESTATÍSTICAS


Josias de Souza

Todas as opiniões de petistas e tucanos sobre as iniciativas do PT e do PSDB são suspeitas porque são de partidários. É impossível ser inteiramente objetivo sobre a própria espécie. Até a autocrítica de petistas e tucanos, se existisse, seria inconfiável. Os elogios, então, não merecem a mínima credibilidade. Fata-lhes o distanciamento e a isenção. Ou seja, você está sozinho.

A quatro dias do segundo turno das eleições 2014, simpatizantes do candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB) realizaram uma passeata na avenida Faria Lima, zona oeste de São Paulo, na noite desta quarta-feira (22). Com faixas pró-Aécio e um carro de som comandado pelo deputado federal Paulinho da Força (SD) no microfone, os militantes pediram mais educação, mais saúde e a saída do PT do governo federal. "Fora, PT, leva a Dilma com você", diziam. Também xingaram a presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) e, em coro, gritaram: "Viva a PM!" Bárbara Paludeti/UOL

Numa democracia, esse regime que lhe assegura irrestrita liberdade para exercitar sua capacidade de fazer besteiras por conta própria, tudo o que você precisa para errar conscientemente é de informação. O horário eleitoral e os debates foram concebidos com o propósito de lhe informar. Mas o cinismo foi o mais próximo que o marketing conseguiu chegar da verdade.

O primeiro passo para decidir aonde você quer chegar com o seu voto é descobrir onde você está. A propaganda da candidata à reeleição se esforça para lhe convencer de que o Brasil que você vê não é o Brasil de verdade, é outro país. Quando você sai de casa e dá de cara com o Brasil que a propaganda governista diz que não é o Brasil, você deve ficar tentado a perguntar de si para si: se não é o Brasil, que diabo de país é este?

Noutros tempos, você ainda podia recorrer às estatísticas oficiais para tentar se localizar. Já não pode mais. Os repórteres Fábio Takahashi e Sofia Fernandes informam que o governo decidiu adiar para depois da eleição a divulgação de dados negativos.

Já tinham descido à gaveta dados sobre o desmatamento e a atualização de um estudo sobre a quantidade de pobres e miseráveis no país. Pois decidiu-se sonegar aos refletores também desde o desempenho dos alunos brasileiros em português e matemática até o montante de tributos coletado pelo fisco.

Que país é esse?, você volta a perguntar aos seus botões, que não respondem porque não falam com qualquer um. Olhando ao redor, você vê alastrar-se a seca. Antes restrita ao Nordeste, a falta d’água já infelicita cariocas e, sobretudo, paulistas. No Rio, as torneiras secam na Baixada Fluminense. São Paulo já está na segunda cota do volume morto do sistema Cantareira.

Numa dessas, você acaba se convencendo de que o Brasil é, em verdade, um imenso deserto. Como a metereologia não prevê grandes precipitações pluviométricas até o domingo das eleições, o melhor que você tem a fazer é estocar água. A mistificação da propaganda eleitoral e o Saara estatístico talvez lhe privem de informação para escolher o melhor presidente. Mas de sede você não morre.

CONSELHEIRO DA 'VACINA PRA CAVALO' DESDIZ DILMA


Josias de Souza


Conselheiro aposentado do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerias, Sylo Costa tornou-se personagem involuntário do vale-tudo em que se converteu a sucessão presidencial. Em artigo veiculado no diário mineiro O Tempo, ele revelou o seu espanto: “Quase caí da poltrona durante o debate do último domingo, quando ouvi dona Dilma, com ar triunfal, declarar que eu teria dito, na qualidade de relator das contas do então governador Aécio Neves, que vacina para cavalo foi contabilizada como despesa de saúde.”

A frase de Sylo foi evocada por Dilma no debate da tevê Record como reforço para a acusação que vem fazendo há semanas de que Aécio “desviou” verbas da saúde à época em que governou Minas Gerais. “O que ela pretendeu fazer – como de hábito, aliás – foi manipular os fatos, numa tentativa de atacar seu adversário”, ralhou o dono do comentário que a candidata do PT convertera em munição.

O que parecia uma bala de prata virou no artigo de Sylo um cartucho de festim: “Como relator, orientado por minha assessoria, mandei retirar da conta da Secretaria de Saúde uma fatura de compra de vacinas sem especificação e lançá-la na conta da Secretaria de Agricultura, erro material que não afetava o cumprimento do índice constitucional da saúde. Tanto que me posicionei pela aprovação das contas.”

O ex-conselheiro prosseguiu: “O parecer prévio sobre as contas do governador foi aprovado por unanimidade. Posteriormente, recebi da Secretaria de Agricultura a informação de que a compra das vacinas era mesmo para a saúde, já que se tratava de vacinas contra aftosa para experimentos da Fundação Ezequiel Dias.”

“Foi esse pequeno erro material que dona Dilma citou como se fosse um assunto tão grave como os assaltos do seu governo na Petrobras e em quase tudo o que o governo federal mete o nariz. Parece coisa de gente que se faz de louca…”, escreveu o ex-conselheiro no arremate do artigo. “O Brasil vai ter que trabalhar uns 20 anos para pagar a conta desses governos do PT. Mas, no domingo, milhões de tucanos ou apartidários como eu estarão enchendo as urnas para o bem do Brasil.”

Por mal dos pecados, a marquetagem de Dilma forneceu-lhe como arma anti-Aécio a frase de um eleitor do tucano. Em política, esperteza em excesso costuma engolir o dono.

DEPOIS DE 'MATAR PAI E MÃE', COMITÊS DE CAMPANHA PEDEM COMPAIXÃO PARA ÓRFÃO


Josias de Souza



Depois de transformar a sucessão de 2014 numa espécie de luta de boxe travada na lama, os comitês de Dilma Rousseff e Aécio Neves firmaram no TSE algo muito parecido com um armistício.

As campanhas abdicaram das representações que tinham protocolado uma contra a outra —cerca de 30, só na noite desta quarta-feira seriam julgadas 16 ações. E comprometeram-se a levar ao ar no rádio e na tevê programas de governo, não ataques.

Considerandos-se que a propaganda eleitoral acaba nesta sexta-feira (24), as duas campanhas abriram mão de 48 horas de apertões no nariz, puxões na orelha e chutes no traseiro.

Presidente do TSE, o ministro Dias Toffoli tentou revestir o acordo com um verniz histórico: “Queria, em nome do Tribunal Superior Eleitoral, dizer do imenso gesto para a democracia brasileira que as duas campanhas demonstram neste momento, se comprometendo a fazer campanhas propositivas e programáticas e desistindo de todas as representações. É um momento histórico para esta Corte.”

Deve-se o acordo, em verdade, ao pragmarismo jurídico, não ao apreço pela democracia brasileira. Mantendo as representações, as campanhas de Dilma e Aécio corriam o risco de ter os derradeiros comerciais da campanha retalhados por decisões do TSE. No limite, os últimos programas seriam quase que integralmente censurados. Daí a desistência das ações.

Mal comparando, os comitês dos presidenciáveis comportaram-se na reta final mais ou menos como o criminoso da anedota, que matou pai e mãe e, no dia do julgamento, pediu misericórdia para um pobre órfão.

YOUSSEF FALARÁ À CPI TRÊS DIAS DEPOIS DA ELEIÇÃO


Josias de Souza


O doleiro Alberto Youssef, estrela da Operação Lava Jato, comparecerá à CPI mista da Petrobras na próxima quarta-feira (29), três dias depois do segundo turno das eleições. Presidente da comissão, o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) informou ter negociado com a Polícia Federal e com a Justiça Federal os detalhes da operação de transporte de Youssef de Curitiba, onde está preso, para Brasília.

Acusado de lavar cerca de R$ 10 bilhões provenientes de corrupção, Youssef firmou com o Ministério Público um acordo de delação premiada. Desde o dia 2 de outubro, ele presta depoimentos a procuradores e delegados longe dos refletores. O repórter Robson Bonin revelou parte do teor da delação. Ele levou ao ventilador os nomes de 28 parlamentares beneficiários de propinas. Disse que parte do dinheiro desviado da Petrobras ajudou a financiar a campanha de Dilma Rousseff em 2010.

É nesse contexto que Youssef será levado à CPI. A comunicação de Vital do Rêgo foi feita numa sessão em que deveria ter sido inquirido José Carlos Cosenza, atual diretor de Abastecimento da Petrobras. Ele sucedeu no posto o ex-diretor Paulo Roberto Costa, parceiro de Youssef nos crimes sob investigação na Operação Lava Jato. Sob a alegação de que sofreu uma crise de hipertensão, José Cosenza cancelou sua ida à CPI. Enviou um atestado médico.

ÚLTIMA CHANCE DE AÉCIO É O DEBATE



Coluna Fogo Cruzado – 23 de outubro

O Brasil experimentou inicialmente a “onda Marina”, depois a “onda Aécio” e agora ensaia a “onda Dilma” nesta reta final do segundo turno

O Brasil chega à última semana da campanha presidencial literalmente dividido: 47% dos eleitores propensos a votarem em Dilma, 43% em Aécio Neves e 4% de indecisos, segundo a pesquisa do Datafolha divulgada ontem. No primeiro turno da eleição, ensaiou-se a “onda Marina” logo após a ex-senadora substituir Eduardo Campos na chapa presidencial do PSB. A candidata apareceu numa das pesquisas com 51% dos votos válidos, dando a entender que era a bola da vez. A “onda”, porém, desmanchou-se rápido quando o Brasil passou a conhecer melhor as suas fragilidades. Veio em seguida a “onda Aécio” após a chegada do tucano ao 2º turno. Ele também figurou em algumas pesquisas com mais de 50% dos votos válidos. Agora desponta a “onda Dilma” malgrado 75% dos eleitores terem confessado, lá atrás, que queriam um “governo de mudanças”. Aécio ainda tem uma chance de virar o jogo: o debate da Globo de amanhã à noite.

A mudança não desejada

Aécio cometeu um erro grave ao anunciar que Armínio Fraga, ex-presidente do BC no governo FHC, seria seu ministro da fazenda. O “mercado” gostou da escolha. Mas a média dos eleitores, não. Isso ficou claro após Dilma ter explorado na TV declarações de Armínio dizendo que o salário mínimo no país está alto demais e que é necessário tirar dos bancos públicos algumas de suas atribuições. É como se o eleitor dissesse o seguinte: “A gente quer mudar, mas não por aí”.

Time – O governador eleito Paulo Câmara (PSB) não terá muitas caras novas no 1º escalão, que será formado por pessoas que já trabalharam no governo Eduardo Campos, com raras exceções. Antônio Figueira, Renato Thiebaut e José Neto são nomes certos para o time. Já Danilo Cabral, Tadeu Alencar e Felipe Carreras (PSB) também são opções, mas preferem a Câmara Federal.

Sertão – O escritor, pesquisador e folclorista Zelito Nunes (UFRPE) lançará amanhã no Clube Alemão, a partir do meio dia, o seu mais recente trabalho, intitulado: “No sertão onde eu vivia”.

Tradição – Desde que passou a PEC da reeleição (1997), nenhum governador do RS conseguiu ser reeleito e Tarso Genro (PT) não será exceção à regra. Vai perder para Ivo Sartori (PMDB).

Vitória – Surubim fez majoritários na cidade, tanto para a Alepe como para a Câmara Federal, dois filhos da terra (do PSB): Danilo Cabral (12.202) e Nilton Mota (8.170), respectivamente.

Vácuo 1 – Único irmão de Eduardo Campos, o advogado Antônio Campos (foto) já tem o nome cogitado no PSB para disputar a prefeitura de Olinda em 2016. Não se sabe se tem interesse. Mas se tiver a chance é grande, sobretudo por ter levado para lá a Fliporto, da qual é curador.

Vácuo 2– Com a morte de Eduardo Campos, os grandes líderes políticos do Nordeste passaram a ser Jaques Wagner (PT) e Cid Gomes (PROS). O primeiro fez o sucessor na Bahia (Rui Costa) e o segundo deverá fazer também no Ceará (Camilo Mendonça), de acordo com as pesquisas.

Adeus – Remanescente do velho PTB (fase pré-64), o gaúcho Cibilis Viana morreu ontem no RJ aos 94 anos de idade. Foi chefe de gabinete de Brizola nos governos do RS e do RJ, um dos líderes da “cadeia da legalidade” que lutou pela posse de Jango em 61, após a renúncia de Jânio Quadros, e um dos fundadores do PDT junto com os pernambucanos Lamartine Távora e José Carlos Guerra.

Núcleo – Caso seja eleito presidente, Aécio garante que o “núcleo do governo” será formado pelo PSDB, PSB, PP e o “lado bom” do PMDB. Bobagem do candidato tucano porque quem controla o PMDB é Sarney, Renan Calheiros, Romero Jucá, Henrique Alves, Eduardo Cunha, Moreira Franco e outras figuras carimbadas da política. E sem o apoio desse partido não se governa o Brasil.

IBOPE DIVULGARÁ NESTA QUINTA-FEIRA UMA NOVA PESQUISA DE OPINIÃO


O Ibope vai divulgar nesta quinta-feira (23) uma nova rodada de pesquisa sobre a intenção de voto dos brasileiros para a Presidência da República. A pesquisa foi contratada pela TV Globo e o jornal O Estado de São Paulo.

Pesquisa do Datafolha divulgada ontem (22) – a 4ª do segundo turno – aponta Dilma Rousseff (PT) com 52% dos votos válidos, ante 48% de Aécio Neves (PSDB).

O levantamento, encomendado pelo jornal “Folha de São Paulo”, mostra o mesmo placar observado em sondagem divulgada no último dia 20 de outubro.

Os dois permanecem em empate técnico, com vantagem numérica para a petista. Considerando os votos totais, que leva em conta os brancos e nulos (6%) e os indecisos (4%), Dilma tem 47% e Aécio 43%.

Dilma esteve hoje Uberaba, no Triângulo Mineiro, onde foi vaiada no primeiro turno ao visitar a Expozebu. Ela estava acompanhada pelo governador eleito Fernando Pimentel (PT).

Aécio também fez campanha em Minas e numa coletiva de imprensa disse que se for eleito manterá os programas sociais do governo petista.